Texto: Breno Airan
Sempre em frente: a andança da nova turnê da The Baggios começou em Arapiraca e Maceió, nas Alagoas, passou por Recife e Salvador e agora chega a Aracaju, neste sábado, 15), em show no Che Music Bar, no bairro da Farolândia.
O powertrio de São Cristóvão-SE segue sua bússola própria e, de certa forma, o magnetismo de novos públicos, conhecendo o som deles pela primeira vez — uma mistura de blues, jazz, rock e psicodelia com baião, chegança e autenticidade.
Mas tocar em casa é sinônimo de familiaridade, é sinônimo de acolhimento e aplausos de velhos amigos na plateia, impulsionando o novo giro do grupo pelo país a partir da nova tour, desta vez celebrando os 10 anos do já clássico álbum “Brutown”, lançado em 2016.
Por isso, a potência deste momento de agora: a Baggios tocará ao vivo na íntegra as 12 músicas do disco que os catapultou de vez para a cena alternativa brasileira, levando-os em definitivo de duo para trio, formado desde então por Julico Andrade (guitarrista e vocalista), Rafael Ramos (tecladista) e Gabriel Perninha (baterista).
Neste sábado, 15, a banda toca em Aracaju ao lado dos baianos da Vivendo do Ócio — dobradinha que eles também fizeram em Salvador no último sábado.
“É muito bom cruzar com os amigos na plateia e, também, na estrada. Temos mais de 10 anos de convivência com a Vivendo do Ócio. Eles estão celebrando 20 anos de história e nós, 10 anos de ‘Brutown’. Ter eles com a gente em Aracaju será muito significativo! Tenho a certeza que vai ser uma noite linda! A troca sincera com o público de Aracaju! Tocar em casa é sempre ‘tocar leve’, com as pessoas ao nosso lado, conectadas, cantando e vibrando junto”, pontua Julico.
E ainda dá tempo de presenciar esse feito. Os ingressos antecipados podem ser adquiridos via Sympla na bio do Instagram oficial da banda: @thebaggios.
10 anos
Esse show tem um gostinho ainda mais especial. Além de celebrar os 10 anos do álbum, também comemora os 10 anos da entrada em definitivo de Rafael Ramos nos teclados da banda, daquele 2016 para cá.
Rafael — que era integrante da Coutto Orchestra — gravou todas as teclas do “Brutown”, dando nova sonoridade ao grupo e consolidando-os como um dos mais inovadores dos últimos anos, calcando o termo “Rock brasileiro” com ainda mais ênfase no cancioneiro do nosso povo, por justamente misturar sons, timbres, texturas e ritmos diversos.
E tem mais: recentemente, Julico Andrade recebeu da Câmara de Vereadores o título de cidadão honorário de Aracaju. Então, essa apresentação na capital sergipana reserva fortes emoções.
E tem mais ainda: a primeira vez que o grupo tocou a música-título do disco, a “Brutown”, foi justamente no Che Musc Bar, em maio de 2016. Coincidências e manifestações que fecham e abrem novos ciclos para a tour que se estenderá posteriormente para o Sudeste até o fim do ano.
Indicado ao Grammy Latino no ano seguinte ao seu lançamento, na categoria “Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa”, ele carimbou a marca da pegada da Baggios no chão da música atual, feita de forma independente.
Mas nada se faz, de fato, de forma “independente”; nada se faz sozinho. O disco conta com diversas participações, como a de Jorge Du Peixe (Nação Zumbi), cantando em “Saruê”; Fernando Catatau (Cidadão Instigado), nas guitarras em “Soledad”; Emmily Barreto (Far From Alaska, Ego Kill Talent), com sua voz marcante “Estigma”; Felipe Ventura (Baleia) adicionando multicamadas de violino em “Soledad” e “Miquin”; e Gabriel Thomaz e Erika Martins (Autoramas) fazendo backing vocals em “Desapracatado”.
Na capa, há a brilhante ilustração elaborada por Neilton Carvalho (que também é guitarrista das bandas Devotos e Nação Zumbi), trazendo uma cidade colapsando — o que é totalmente ligado ao tema das letras, deste que é o terceiro disco do trio sergipano.
Para captar toda essa energia, eles viajaram até o lendário estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, e produziram o disco ao lado de Felipe Rodarte. Para a mixagem, foi chamado Raphael Dieguez e, para a masterização, Felipe Tichauer, no Red Traxx Mastering, nos EUA.
Tudo isso para encaixar o som, encapsular a poesia musical de forma mais orgânica possível, em meio ao silêncio da mata que rodeia a Toca do Bandido. Pouco depois, o grupo viajou para diversos países para divulgar o trabalho, como próprios Estados Unidos. Mas ao vivo, no Che Musc Bar, é outra história.
É outra frequência. Algo realmente made in Sergipe.
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Foto: Fernando Correia







