Judô brasileiro abre temporada com ouro de Rafaela Silva no Grand Slam de Paris

Judoca se tornou a quinta brasileira a ser campeã da competição em toda a história, neste sábado, 7, quebrando jejum de 10 anos sem o hino nacional tocando na etapa francesa
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A Seleção Brasileira de Judô abriu a temporada 2026 com chave de ouro. Neste sábado, 7, primeiro dia do Grand Slam de Paris, Rafaela Silva (-63kg) fez campanha perfeita na tradicional competição do Circuito Mundial IJF e garantiu a medalha de ouro da categoria, quebrando um jejum de dez anos sem brasileiros subindo ao lugar mais alto do pódio da etapa francesa. Este foi o primeiro título internacional de Rafa desde que subiu de peso, há um ano, e deve colocá-la pela primeira vez entre as dez melhores ranqueadas do mundo.

Junto com o Grand Slam de Tóquio, a etapa de Paris é o evento mais prestigiado do Circuito Mundial de Judô e um dos mais difíceis, seja pelo alto nível técnico ou pelo calor da torcida francesa que anualmente lota o Palácio de Bercy. Para se ter noção, em toda a história do evento apenas outros quatro brasileiros alcançaram o feito da medalha de ouro: Edinanci Silva (2000), João Derly (2006), Leandro Guilheiro (2010) e Mayra Aguiar (2012 e 2016).

Foi Mayra, inclusive, que ganhou o último ouro brasileiro até então, há exatos dez anos, no dia 7 de fevereiro de 2016.

Para chegar à medalha, Rafaela passou por quatro adversárias que estão entre alguns dos nomes mais fortes da categoria. Primeiro, nas oitavas, passou pela italiana Carlotta Avanzado, top 25 do mundo, com um waza-ari no último segundo, e depois, nas quartas, pela holandesa Joanne Van Lieshout, campeã mundial em 2024, também com um waza-ari.

Já na semifinal, a brasileira teve pela frente a japonesa Kirari Yamaguchi, top 8 mundial, e conseguiu um waza-ari e um yuko para avançar a sua primeira final do Grand Slam de Paris. 

Na final, Rafaela enfrentou a mongol Enkhriillen Lkhagvatogo, outra atleta top 10. Nos primeiros 40 segundos de luta, ela aproveitou a oportunidade de trabalhar o ne-waza (técnicas de solo) e fez a adversária bater em uma chave-de-braço bem aplicada. Ippon e medalha de ouro.

“Com certeza é a realização de um sonho. Eu venho buscando uma medalha de ouro no Grand Slam de Paris há muito tempo, e a gente sabe o quão difícil é. Faziam dez anos que o Brasil não chegava com o feminino em uma final aqui, então a gente entende o tamanho da grandiosidade dessa medalha. Estou muito feliz de começar o ano com o pé direito e espero continuar podendo treinar e evoluir meu judô da melhor maneira possível”, comemorou Rafa.

Além da nova medalha de ouro, a brasileira ainda tem outros dois bronzes no Grand Slam de Paris, conquistados em 2014 e 2016. Também foi na capital francesa que, em 2024, ela levou sua segunda medalha olímpica da carreira, com o bronze da equipe mista brasileira. 

Atual número 12 do ranking mundial, ela vai poder adicionar mais 1000 pontos à coleção e deve entrar, pela primeira vez, no top 10 da categoria desde que subiu do -57kg para o -63kg.

Nos meses em que decidiu reescrever um novo capítulo no judô, Rafaela Silva já têm o saldo de 5 medalhas: ouro no Grand Slam de Paris e bronzes no Campeonato Pan-Americano, Grand Slam do Cazaquistão, Grand Prix de Guadalajara e Grand Slam de Abu Dhabi.

“Cada competição a gente sabe a pontuação que vale muito, então cada ponto é muito importante visando a minha classificação para a Los Angeles de 2028. Esses mil pontinhos são muito bem-vindos e espero buscar mais ainda e me firmar da melhor maneira possível”, projetou.

Larissa Pimenta chega perto do bronze, mas termina Grand Slam em quinto lugar

O judô brasileiro ainda teve chance de levar uma segunda medalha neste primeiro dia do Grand Slam de Paris. No peso meio-leve feminino (-52kg), Larissa Pimenta protagonizou uma das disputas de bronze contra a alemã Mascha Ballhaus, mas ficou em quinto lugar.

Larissa começou o combate muito bem, aproveitando as chances e quase pontuando em diversas oportunidades, deixando, inclusive, a adversária pendurada com duas punições. Mas, com o passar do cronômetro, acabou sendo punida uma vez por postura defensiva e outras duas por ataques falsos, interpretados pela arbitragem, chegando ao limite de punições permitidas.

Antes, ela passou pela sul-coreana Suryeon Hwang nas punições (3-0), pela italiana Kenya Perna com dois yuko, e, nas quartas, teve revés por waza-ari contra a kosovar Distria Krasniqi, atual vice-campeã olímpica. 

Na repescagem, Larissa voltou a vencer, desta vez a húngara Reka Pupp, por yuko, e se classificou a sua segunda decisão de medalha consecutiva desde que retornou às competições após os Jogos Olímpicos Paris 2024, onde foi bronze. No fim de 2025, ela também foi quinta colocada no tradicional Grand Slam de Tóquio.

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Fonte: CBJ | Confederação Brasileira de Judô

Foto: Camila Dantas/CBJ