Fabiano Oliveira leva V Vitrine Literária do Centro de Excelência Dom Luciano para Praça Pública

Vitrine Literária14 Foto Divulgação

Noite do último sábado, 7, os protagonistas do Centro de Excelência Dom Luciano entraram em cena para presentear o público com dramas, sucessos e angústias de autores da literatura naturalista. Com mistura de cinema, teatro, música e jornalismo, a V edição da Vitrine Literária apresentou em praça pública a temática “Favela ê, favela! Respeite a literatura que vem dela: Do cortiço à comunidade”, e foi coordenada e dirigida pelo mestre em Linguística, Fabiano Oliveira, professor do Ensino Médio em Tempo Integral.

O espetáculo começou com o professor fazendo um número ao vivo com a música “Barracos” da Banda Beijo, acompanhando por um corpo de dançarinos do Grupo Nova Era. “Antes de apresentar o show na rua, fiz laboratório na comunidade Maria do Carmo, conversei com os meninos que fazem arte e dançam para combater a violência em seus bairros. Foi um momento emocionante para mim, pois, vi na prática, a força que a arte tem”, afirmou Fabiano Oliveira.

Em seguida foi a vez do show dos alunos que foi assistido pelos olhares atentos e emocionados dos pais e convidados.  O alto da Colina do Santo Antônio, em Aracaju, foi o lugar escolhido para que as histórias, memórias e literatura fossem narradas para o público que acompanhava as apresentações baseadas em três obras do escritor Aluísio Azevedo: O Cortiço, O Mulato e Casa de Pensão.

“Depois de três meses de ensaios com grandes profissionais do teatro, os alunos se sentem seguros e tornam-se sujeitos de suas ações. Cada atitude, cada detalhe de cenário ou do discurso deles é pensado em torno do combate contra o preconceito para com as pessoas que vivem em comunidades. As obras são pano de fundo para reflexões críticas”, disse o professor.

Fabiano Oliveira, destacou ainda que a culminância do projeto é ponto alto das atividades desenvolvidas em sala de aula. “Nós preparamos o maior evento da escola pública sergipana, trouxemos a literatura para o povo; um verdadeiro show de rua. Esse é o nosso objetivo despertar neles o poder de transformação através da leitura crítica. Aqui, vamos contar as histórias de gente oprimida, mostrando como se dá opressão e a redenção por meio da cultura como um todo”, explicou ele.

A literatura e o contexto da realidade

O projeto é pensado para que o aluno, após leituras de obras, possa dialogar com o cotidiano. As obras trabalhadas têm uma visão do homem dos anos de 1870 e, agora, serão comparadas com a contemporaneidade.  “As favelas ou espaços periféricos das obras naturalistas foram descritas de forma científica e deixaram marcas de preconceitos. Na releitura pode-se refletir sobre esses efeitos”, ressaltou.

Os donos da festa

Antes de subir ao palco, a aluna Weslayne Monteiro Vieira, do 2º ano do ensino médio em tempo integral, contou que entraria em cena em três momentos: na abertura do show, na apresentação de teatro e recitando um poema. A jovem protagonista considera importante o envolvimento dos estudantes nessas ações que mostram o protagonismo e compromisso das equipes. “A gente vai além do que está nos livros, mostrando o que há de melhor na literatura por meio da dança, teatro e a arte de forma geral”, pontuou.

Outro aluno participante, Luís Felipe Santos Andrade, revelou que o projeto Vitrine Literária desmistifica a visão de pré-julgamento da sociedade para com a realidade das favelas. “Infelizmente as pessoas só sabem julgar, e nosso trabalho é justamente mostrar o oposto, mostrar o lado bom, a cultura, a dança, entre outras manifestações que estão na favela”, disse o protagonista de O Mulato, que levou o destaque de melhor ator da V edição, na opinião dos

Prêmio

Em 2019, foi também o terceiro ano do Prêmio Vitrine Literária. Os alunos artistas apresentaram teatro, shows de samba, poesias e danças sob os olhares atentos de nove jurados espalhados entre o público. “Todos são vencedores, o objetivo do Prêmio é destacar os que se destacam em suas atividades, é uma forma de reconhecimento”, comentou Fabiano Oliveira. Os premiados deste ano foram:

Melhor peça: O cortiço, 2B

Melhor Figurino de Peça: O cortiço, 2B

Aluno (a) revelação: Monalisa Victória, 2 G

Melhor ator: Antônio Marcos, 2G

Melhor Poesia: Favela ê, Favela, 2G

Melhor Atriz: Elys Monise, 2G

Melhor Roteiro de Peça: O cortiço, 2B

Melhor show de Samba: Samba de barzinho, 2B

Melhor coreografia: Ginga, 2B

Melhor figurino de coreografia: 2B

Aluno destaque: William Nascimento, 2B

Show musical

A quinta edição do Vitrine Literária também contou com o show do cantor sergipano Junior Brava, que levou para a praça pública uma apresentação especial com ritmos que desceram do morro, dentre eles os sambas surgidos nos anos 90 e 2000.

Parcerias

A grandiosidade do evento se deve a parcerias importantes como Secretaria do Estado da Educação – Seduc -, que apoia o projeto desde a I edição, o Grupo do Café Santa Clara, a Loja Espaço do Estudante e a equipe diretiva, representada pela gestora,  Lidiane Moreira.  Em 2019, a grande conquista do projeto foi a parceria com o Grupo Santa Clara. A empresa nacional presenteou os pais com kits e isso fortalece a importância do evento.

“O espetáculo cresceu e hoje temos patrocinadores e parceiros fundamentais para o projeto. Levá-lo à rua com uma magnitude desta requer apoio de vários setores e todos são importantes. Minha ideia é aumentar em 2020 para que possamos alcançar voos mais altos”, disse Fabiano Oliveira.

Segundo o professor, cerca de 110 pessoas, entre estudantes, pais de alunos e colaboradores, estiveram envolvidos na produção do projeto. “A gente trouxe a família dos alunos para dentro do evento. Os pais mandaram vídeos, ajudaram na divulgação, porque esse é o objetivo do projeto. O evento é feito para a sociedade”, comentou.

Parceira desde a primeira edição do Vitrine Literária, a figurinista Conceição da Silva Vieira, mãe de ex-aluna do Dom Luciano, faz questão de a cada ano dar sua contribuição nesse evento, que, segundo ela, tem a missão de mudar o olhar dos estudantes. “É uma forma diferente de ensinar. Minha filha até hoje é grata a ele (Fabiano) pelos seus ensinamentos”, afirmou.

O professor relata, ainda, que para o sucesso do evento contou com a participação de jovens profissionais do teatro que coordenaram as peças e foram base para o sucesso do evento. Participaram deste momento os professores Lúcio Oliveira, Wellington Gomes, Darielle Dayse, Fabrícia Naiane e Luís Rodrigues. Para 2020, a equipe já pensa em repetir o sucesso buscando sempre profissionalizar o show dos alunos da escola pública.