Bancários dos bancos públicos dizem não às propostas e aprovam greve

Deflagração da greve por tempo indeterminado está prevista para ocorrer a partir da 0h do dia 10/09/2026 (quinta-feira)
Fachada_do_SEEB-SE Foto CTB

Os bancários e bancárias da base do Sindicato dos Bancários de Sergipe concluíram, nesta sexta-feira, 4, a votação da assembleia da Campanha Nacional 2026. Nos bancos públicos, os trabalhadores do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste rejeitaram tanto a proposta da CCT da Fenaban quanto os Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs) específicos de cada instituição e aprovaram a greve por tempo indeterminado. Já os trabalhadores dos bancos privados aprovaram a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026/2028.

A votação ocorreu de forma virtual, entre as 19h de quinta-feira, 3 , e as 19h desta sexta-feira, 4.

Rejeição das propostas e aprovação da greve

Nos bancos públicos, o resultado expressou a insatisfação dos trabalhadores com as propostas apresentadas. Funcionários do Banco do Brasil, Caixa e Banco do Nordeste rejeitaram a CCT e os respectivos ACTs e aprovaram a deflagração de greve por tempo indeterminado.

Na Caixa Econômica Federal, a rejeição foi expressiva: 94,58% dos participantes votaram contra a CCT e o ACT específico, com 76,51% optando pela greve. Outros 4,82% votaram pela aprovação e 0,60% se abstiveram.

Entre os principais pontos de preocupação está o Saúde Caixa. A proposta altera o modelo de custeio do plano. Para empregados da ativa, a contribuição do titular passaria a variar de 2,7% a 4,5%, de acordo com a idade. Os dependentes teriam cobrança entre R$ 480 e R$ 660, enquanto o teto familiar subiria de 7% para 9% da remuneração-base. Para aposentados e pensionistas, a contribuição do titular seria de 4,5%, com cobrança de R$ 660 para dependentes e teto familiar também de 9%.

A proposta prevê ainda o aumento da consulta em pronto-socorro de R$ 75 para R$ 150 e a elevação do limite anual de coparticipação familiar de R$ 3.600 para R$ 4.800.

No Banco do Brasil, 76,74% dos participantes rejeitaram a CCT e o ACT específico, com 58,14% optando pela greve. Outros 22,59% votaram pela aprovação e 0,66% se abstiveram.

Apesar de medidas apresentadas pelo banco, como compromissos relacionados à Cassi e ao Plano de Carreira e Remuneração, a maioria dos funcionários considerou que as propostas não atendem suficientemente às reivindicações apresentadas durante a campanha. Entre os pontos apresentados estavam o adiantamento de R$ 360 milhões da contribuição patronal para a Cassi e estudos para revisão dos critérios do Plano de Carreira e Remuneração.

No Banco do Nordeste, a rejeição da CCT e do ACT específico alcançou 77,23%, com 56,44% optando pela greve. Outros 21,78% votaram pela aceitação das propostas e 0,99% se abstiveram.

O acordo apresentado pelo BNB incluía a renovação das cláusulas atuais, manutenção da participação na mesa da Fenaban, revisão do Plano de Cargos, criação de mesa temática sobre o Plano de Funções e manutenção das regras específicas de PLR. Mesmo com esses pontos, a maioria decidiu que é necessário avançar nas reivindicações específicas do funcionalismo.

Com a rejeição das propostas, está prevista a deflagração de greve por tempo indeterminado a partir das 0h do dia 10/09/2026 (quinta-feira).

A decisão dos trabalhadores do BB, Caixa e BNB representa um instrumento de pressão para que as negociações avancem. Para o Sindicato dos Bancários de Sergipe, o resultado demonstra que as propostas específicas apresentadas aos funcionários dos bancos públicos ainda não respondem de forma suficiente às reivindicações da categoria.

Bancos privados aprovam proposta da Fenaban

Entre os trabalhadores dos bancos privados, a proposta da Fenaban para renovação da CCT foi aprovada por 74,14% dos participantes, enquanto 25,86% votaram pela rejeição. Não houve abstenções.

A proposta é resultado de 13 rodadas de negociação e prevê, em 2026 e novamente em 2027, reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de 0,6% de aumento real. O índice será aplicado aos salários e às demais verbas econômicas, incluindo vale-alimentação, vale-refeição, pisos salariais, auxílio-creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR), tanto na regra básica quanto na parcela adicional.

A proposta mantém os direitos previstos na Convenção Coletiva e inclui cláusulas relacionadas às condições de trabalho. Entre elas estão a participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, previsto na NR-1, a ampliação do canal de combate ao assédio moral e sexual para denúncias envolvendo atos praticados por clientes, limites e maior transparência no monitoramento digital e o direito à desconexão.

Também foram negociadas medidas de proteção aos trabalhadores atingidos pelo fechamento de agências, com programa de requalificação e recolocação profissional e previsão de indenização adicional nos casos abrangidos. A proposta prevê ainda o abono da paralisação nacional realizada em 20 de agosto nas bases que aprovaram a CCT.

A construção da proposta ocorreu após forte mobilização da categoria. Nas rodadas anteriores, a Fenaban apresentou índices abaixo da inflação, congelamento de verbas e propostas de retirada de direitos. Em 25 de agosto, por exemplo, os bancos apresentaram reajustes de 2,06% e, posteriormente, 2,57%, ambos rejeitados pelo Comando Nacional.

Entre os pontos colocados na mesa estavam o congelamento da PLR e do piso de ingresso e a retirada de direitos previstos na CCT. A mobilização da categoria contribuiu para a retirada dessas propostas e para a apresentação da proposta final com reposição integral da inflação, aumento real e preservação dos direitos.

O Sindicato dos Bancários de Sergipe seguirá ao lado dos trabalhadores do Banco do Brasil, Caixa e Banco do Nordeste, fortalecendo a mobilização e cobrando das instituições o avanço das negociações e propostas que atendam às reivindicações dos funcionários.

Resumo das Assembleias

Caixa Econômica Federal

Não: 94,58%

Sim: 4,82%

Abstenções: 0,60%

 —

Banco do Brasil

Não: 76,74%

Sim: 22,59%

Abstenções: 0,66%

Banco do Nordeste

Não: 77,23%,

Sim: 21,78

Abstenções: 0,99%

Bancos Privados

Sim: 74,14%

Não: 25,86%

Abstenções: 0

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Fonte: Seeb-SE

Foto: CTB